Com apenas 18 anos, a vida da cantora brasileira Giulia Be passou por uma transformação, afinal, ela encantou Portugal com seu sucesso “Menina Solta”.

Natural do Rio de Janeiro, Giulia começou a carreira aos 6 anos, tocando piano. Aos 8 já escrevia canções românticas. “Nunca me tinha passado pela cabeça porque cresci com a Hannah Montana e toda a gente queria ser ela”, explica, “como é que eu ia chegar e dizer ‘não, eu é que vou ser a Hannah Montana’? Tão precoce, mas com talento. Hoje com 20 anos de idade seu nome está em diversas rádios e sites da internet.

Seu objetivo inicial era cursar Direito, mas isso é algo que certamente ficará para depois: “O meu sonho era trabalhar na ONU e agora, tendo uma plataforma de voz, inevitavelmente, por ser uma pessoa pública, consigo também ajudar em causas sociais. Vou estar lá na ONU, eventualmente, só que de uma maneira diferente”, garante.

Com artistas como Stevie Wonder, Fleetwood Mac, Cazuza ou Caetano Veloso como influências, Giulia conta que ainda não está preparada para gravar um álbum. Ela já lançou um EP neste mês de fevereiro e vem muito mais por aí.

Quando tinha 15 anos, conheceu Portugal, onde estabeleceu esta ligação maravilhosa: “Fui ao Douro, ao Algarve… Em Lisboa fiquei só dois dias, então não conheci muita coisa. Agora, tenho a oportunidade de conhecer melhor e estou a amar. Quero vir cá cada vez mais”.

‘Menina Solta’, tema que a tirou do anonimato e a elevou ao estrelato, há poucos meses, é uma canção que ela destaca o quanto é representativa: “Tive que lutar por ela. Já estava tudo pronto para eu lançar outra música, completamente diferente, mas esta foi a primeira das três que lancei que realmente tem a minha verdade”, defende, “é a Giulia do jeito que ela é. Peguei no violão e escrevi, brincando com as minhas amigas. Não poderia haver um cenário mais Giulia do que esse”.

Mas afinal, o que significa, afinal, ser uma “menina solta”? “Significa você ter essa liberdade de poder seguir os seus sonhos, de fazer o que quer, de escutar o seu coração, a sua cabeça, e não deixar nenhum homem, ou nenhuma pessoa, dizer-lhe que não consegue. Por mais que a música fale sobre uma situação bem específica, acabou virando uma coisa muito maior. Digo que a música é feminista sem querer, porque a escrevi para contar uma história”.

Mesmo com tanto sucesso com a música, Giulia ainda precisou enfrentar algumas críticas. “Não tenho problema que digam que é uma canção feminista. Podem dizer que sou feminista, porque sou”.

“A palavra feminista pegou uma conotação negativa por militantes na Internet, uma coisa um pouco extremista, mas ser feminista basicamente é acreditar que mulheres e homens têm direitos iguais. Ser feminista é ser uma menina solta, também. Sou dona da minha própria vida e é assim que todas as mulheres devem ser”.

Por outro lado, “Menina Solta” é apenas o início de uma carreira que pretende que ganhe maior destaque devido à sua escrita. “O que mais prezo, mais do que ser cantora, dançarina, música, é ser uma contadora de histórias. O meu objetivo é ser uma grande escritora de canções e estar entre os meus ídolos, que acabam sempre por ser escritores de canções. ‘Menina Solta’ foi isso, uma história que eu contei de uma maneira que ficou na cabeça de muita gente”.

Brasileira, mas com muito sucesso em Portugal, vale lembrar que os primeiros sucessos da cantora foi cantando em inglês: “A música para mim é uma linguagem universal. Sempre tive músicas em inglês e em português. Uma música boa é uma música boa, ponto”, defende, “quero poder levar a minha música para o mundo, poder colocar o nome do Brasil no mundo. Portugal tem uma grande recetividade da música brasileira, mas infelizmente o resto do mundo não”.

Além disso, após elogiar a “nova onda de música pop” e colegas como Jão, Vitor Kley e Melim, a artista destaca o papel do funk na internacionalização da música brasileira. “É importante enquanto artista brasileira falar sobre ele, por muito que não faça esse tipo de música. Assim como a bossa nova não era aceite na época em que começou, o funk não é agora. É um movimento super importante e faz parte da cultura. Estamos vindo todos juntos para conseguir colocar o Brasil no mapa”.

Ao pensar no futuro, Giulia se enche de esperanças e desejos: “Cheguei aqui muito rápido, completei um ano de carreira há dois dias, e não quero que se vá muito rápido, sabe?” “No geral, quero poder estar aqui daqui a 30 anos, com os meus fãs, que estão aqui desde o começo, e que as músicas ainda façam sentido. Quero fazer músicas que durem gerações, como as grandes canções que a gente escuta hoje e que foram feitas pelos Beatles nos anos 60. É o que eu quero fazer com as minhas músicas. Espero que assim aconteça. Como diria o Vitor Kley: ‘assim seja, amem”, completa a jovem.

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