Não é possível dizer que está mais ansioso e preocupado com as eleições nos estados unidos: o presidente Donald Trump ou o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Bolsonaro sabe que se Joe Biden for vitorioso, as relações entre o brasileiro e o possível presidente norte-americano, serão controversas.

Uma eventual vitória do democrata Joe Biden na eleição presidencial norte-americana poderá trazer para a relação do Brasil com os Estados Unidos um elemento que o governo brasileiro preferia ver distante: a questão ambiental, tão cara a vários países europeus, também tem presença forte na agenda democrata.

E não é para menos, pois o governo do Brasil parece viver num mundo paralelo, em que as queimadas na Amazônia e no Pantanal, dois dos principais biomas brasileiros, são normais. Mas presidente Jair Bolsonaro, saiba que essas queimadas, não são normais. São criminosas e servem apenas aos fazendeiros e grileiros, categorias eu têm apoio do presidente.

Os números falam por si só. Faltando dois meses para o ano terminar, dois dos biomas mais importantes do Brasil já registram recordes de queimadas.

No Pantanal, este já é o pior ano desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a registrar os focos ativos de fogo, em 1998.

Já na Amazônia, o número de ocorrências entre janeiro e outubro já supera o total de 2019.

De acordo com o Programa Queimadas, do Inpe, o Pantanal teve 2.856 focos de incêndio ao longo de outubro, o maior número já registrado para o mês. No total para este ano, o bioma também já teve recorde de queimadas, com 21.115 ocorrências, o maior número da série histórica. Até então, a máxima registrada era em 2005, quando houve 12.486 focos de fogo na região.

Segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA), uma área de 4,2 milhões de hectares foi queimada no Pantanal – 28% do bioma consumido pelas chamas.

Ao mesmo tempo foram 17.326 focos de incêndio na Amazônia, o que representa uma queda em relação ao mês anterior, que teve 32.017 ocorrências, mas também a quantidade suficiente para superar o total do ano passado. Apenas entre janeiro e outubro, foram 93.356 focos, ante 89.176, em 2019, e 68.345, em 2018.

Mais do que a declarada torcida do presidente Jair Bolsonaro pelo republicano Donald Trump, a controversa política ambiental brasileira ou a falta dela é apontada por diplomatas e especialistas em comércio exterior como algo que entrará fortemente em qualquer conversa sobre comércio com os norte-americanos em uma administração Biden.

O democrata colocou as mudanças climáticas, o combate às emissões de carbono e a defesa da energia limpa no centro de seu plano de governo, em um movimento que foi capaz de atrair os mais jovens e um espectro de eleitores mais à esquerda dos eleitores norte-americanos.

 “A política ambiental que Biden deverá executar se for eleito terá forte repercussão sobre o Brasil. Os EUA vão se juntar a Europa na crítica à política em relação ao que ocorre na Amazônia. Poderá ter consequências concretas na exportação de produtos agrícolas e no financiamento de projetos no Brasil”, disse à Reuters o embaixador Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Já com receio de uma vitória de Biden, o governo brasileiro defende que a relação com os norte-americanos não vem apenas do alinhamento político e ideológico entre Bolsonaro e Trump, mas de interesses mútuos entre a maior economia do mundo e a maior economia da América Latina.

No entanto, reconhecem diplomatas e analistas ouvidos pela Reuters, a realidade é que o Brasil assim como boa parte da região está longe de ser o centro das atenções de quaisquer governos norte-americanos, sejam democratas ou republicanos.

Ainda assim, o país apareceu com destaque no primeiro debate entre Biden e Trump, e não por uma boa razão, mas pela devastação na Amazônia e sendo citado como parte do exemplo de como o democrata pretende agir na área ambiental.

“Eu vou fazer com que os países reúnam 20 bilhões de dólares e digam: ‘aqui estão 20 bilhões de dólares, pare de derrubar a floresta ou vocês vão enfrentar consequências econômicas significativas’”, disse o democrata.

Se o plano for tratado mais como retórica do que como algo concreto, é uma mostra de que uma administração Biden não deve desconsiderar o aumento nas taxas de desmatamento e queimadas que vem acontecendo no Brasil desde 2019, quando Bolsonaro assumiu o governo.

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